segunda-feira, 17 de junho de 2013

“When you are seventeen, you are not very serious”

          Yes. But we are NOT seventeen anymore, Rimbaud.

          Apresentei meu primeiro seminário (sério) na faculdade. Eu e meu grupo nos preparamos por muito tempo, estudamos, lemos, ensaiamos... Eu cheguei a ficar 4 horas na biblioteca da Faculdade, fazendo meus slides. Aconteceu um imprevisto, que foi ignorado e eventualmente resolvido, e o trabalho ficou - depois de muito sacrifício - impecável. Merecemos 100, meu grupo e eu. Depois, a prova escrita. Ainda estou batalhando por um mundo onde tenhamos mais tempo para fazer a prova de Linguística. Só isso: mais tempo. Quero só ver quando Fonética começar...
          Daí eu assisti o filme "Eclipse de uma paixão" (o Leo DiCaprio novinho e magrinho) e me senti tão terrível. O poema "Roman" do Rimbaud pipocou na minha mente o filme inteiro, e eu odiei aquele poeta estúpido e inconsequente. Mas eu o odiei por ter sido tão incrível. Pura invejinha minha. O cara começa a escrever desde cedo, foge com outro cara - casado, e bem mais velho -, inferniza a vida de todo mundo, viaja pra todos os lados, grita, chora e é prepotente, provoca a prisão de uma pessoa, e então, para de escrever. Simples assim. Qual é o problema? Poxa, ele desistiu. Mas ele tinha tanto fogo, y'know? Sua vontade de MUDAR o mundo, de fazer a DIFERENÇA te contagia e te deixa empolgada pra também fazer algo, e daí ele para, se resigna, se muda pra África e morre.
          Nunca me senti tão inútil depois de um filme.
          Eu nunca tive a prepotência de escrever pra mudar alguma coisa. Nunca tive paciência para os prepotentes (e é por isso que eu prefiro Steve Rogers à Tony Stark). Nunca achei que fosse possível fazer a diferença sozinha... O que é um pouco triste, eu acho. Não é falta de confiança, não: É falta de ambição. Ambicionar publicar um livro, ambicionar que ele seja traduzido para várias línguas, ambicionar que pessoas o leiam e aprovem, isso eu já fiz. Isso eu tenho. Porém, imaginar que a minha escrita mudaria algo na vida de alguém (além da minha própria) é uma ambição que não me cabe. Seria incrível, eu acho, conseguir pensar assim. Conseguir querer tanto quanto o Rimbaud influenciar as vidas dos meus próximos. E é por isso que eu o odiei. Ele conseguia o que eu nunca consegui, e ele simplesmente desistiu. Chegou num ponto em que ficou muito p* da vida com o mundo e mandou tudo a merda. Como é que pode?


          Mandar tudo a merda é um dom, sabe? Falo sério. É um dom que eu não tenho. Às vezes eu me sobrecarrego, faço mais do que é necessário, não durmo nem como, estudo e fico nervosa, tomo café mesmo sabendo que meus dedos vão ficar trêmulos por causa da cafeína, e me importo. Eu não consigo ignorar, não consigo deixar pra lá, não consigo não fazer (provou-se no meu Seminário de Linguística e nas 4 horas na Biblioteca), e não consigo entender quem tem esse dom. Meu perfeccionismo me deixa irritada e cansada, e eu tenho vontade de deixar passar, mas não dá. O peso do mundo nas minhas costas, e eu ainda vou lá corrigir a diferença de fontes num slide pro outro.
          Eu quero ter o fogo do Arthur Rimbaud, mas não quero apagar. Não quero mandar tudo a merda e desistir, mesmo que isso custe algumas noites de sono. Eu quero ambicionar mais, quero atingir objetivos que atualmente eu não consigo nem sonhar. Quero querer mudar a mente das pessoas. Quero querer.

          To na faculdade, sabe. Mesmo que no comecinho, a gente sente a diferença... 17 anos, 18 anos, que seja, I'm very serious. Desculpa Rimbaud, mas vai se ferrar.

Um comentário:

  1. Oi flor, obrigada pela visitinha, volte sempre que puder =D


    Cris.

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